Questão 13: Dos nomes divinos.
Depois
de considerado o que pertence ao conhecimento divino, devemos tratar dos nomes
divinos, pois nomeamos as coisas conforme as conhecemos.
E,
nesta questão, discutem-se doze artigos:
Art. 11 —
Se a denominação — aquele que é — é por excelência o nome próprio de Deus.
O undécimo discute-se assim. — Parece que a denominação —
Aquele que é — não é, por excelência, o nome próprio de Deus.
1. — Pois, o nome de Deus é incomunicável, como já
dissemos. Ora, isto não se dá com a denominação —Aquele que é. Logo, esta
denominação não é própria de Deus.
2. Demais. — Dionísio diz, que o nome de bem é
manifestativo de todas as processões de Deus. Ora, convém a Deus, por
excelência, ser o princípio universal das coisas. Logo, a denominação própria
de Deus, por excelência, é a de bem e não Aquele que é.
3. Demais. — Todo nome divino parece que deve implicar
uma relação com as criaturas, pois não conhecemos a Deus senão por meio destas.
Ora, a denominação — Aquele que é — não implica nenhuma relação com as
criaturas. Logo, essa denominação — Aquele que é — não é, por excelência,
própria de Deus.
Mas, em contrário, a Escritura (Ex 3, 13): a
Moisés que perguntava: Se eles me disserem: que nome é o seu? Que lhes hei-de
eu responder — respondeu-lhe o Senhor: Eis-aqui o que tu hás-de dizer aos
filhos de Israel: Aquele que é me enviou a vós. Logo, é a denominação — Aquele
que é — por excelência, própria de Deus.
SOLUÇÃO. — A denominação — Aquele que é — por excelência é própria de Deus, por três razões.
Primeira, pela sua
significação, pois não significa nenhuma forma, mas, o próprio ser. Ora, sendo
em Deus a existência idêntica à essência, o que não se dá com nenhum outro ser,
como já demonstramos, é manifesto que, entre outras, a denominação de que se
trata é a que convém a Deus, por excelência; pois, um ser é denominado pela sua
forma.
Segunda, por causa da sua universalidade. Pois, todos os outros nomes são menos gerais, ou, se são equivalentes à denominação vertente, contudo, acrescentam-lhe algo, racionalmente, e de certo modo informam-na e a determinam. Ora, o nosso intelecto não pode, nesta vida, conhecer a essência mesma de Deus, tal como ela em si é; por onde, seja qual for o modo por que determinamos o que inteligimos de Deus, não poderemos nunca compreender o que Deus em si mesmo é.
E, portanto, quanto menos determinados e quanto mais gerais e absolutos forem certos nomes, tanto mais propriamente nós os atribuiremos a Deus. E por isso, diz Damasceno, que de todos os nomes atribuídos a Deus, é o principal — Aquele que é; pois, compreendendo tudo em si, exprime o ser mesmo, como uma espécie de pélago infinito e indeterminado da substância. Ao passo que qualquer outro nome determina apenas um aspecto da substância da coisa designada, a denominação — Aquele que é — não determina nenhum modo de ser, porque se comporta indeterminadamente em relação a todos e, portanto, designa o pélago mesmo infinito da substância.
Terceira, pelo que está incluído na sua significação
mesma, que é o ser presente, que se atribui a Deus por excelência, cujo ser não
conhece pretérito nem futuro, como diz Agostinho.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — A denominação —
Aquele que é — quanto à sua origem, é mais própria de Deus, que este último
nome mesmo; pois, ela se origina do ser, tanto quanto à sua significação, como
quanto ao conteúdo desta, conforme já dissemos. Mas, quanto ao ser designado, o
nome de Deus é mais próprio, porque é usado para significar a natureza divina;
se bem que mais próprio ainda é o nome do tetragrama, imposto para significar a
própria essência incomunicável, e, por assim dizer, singular, de Deus.
RESPOSTA À SEGUNDA. — O nome de bem é o
principal nome de Deus, como causa; mas, não de Deus, considerado em absoluto,
pois absolutamente falando, nós inteligimos o ser antes de inteligirmos a
causa.
RESPOSTA À TERCEIRA. — Não é
necessário que todos os nomes divinos impliquem relação de Deus com as
criaturas; mas, basta que sejam impostos, fundados em certas perfeições, que
procedem de Deus para elas; e entre essas perfeições a primeira é o ser mesmo,
donde derivou a denominação — Aquele que é.
Fonte: Suma Teológica de
São Tomás de Aquino
Você terá a oportunidade de ler mais sobre
esta obra todos os DOMINGOS, TERÇAS e QUINTAS-FEIRAS, quando vamos postar mais
um artigo desta obra prima de São Tomás de Aquino. Te esperamos no próximo
post.
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