Tomás de Aquino também disserta sobre as virtudes da castidade e da virgindade, e do vício oposto a ela: a luxúria. O termo castidade é derivado do fato da razão tornar casta/ordenada a concupiscência, a qual precisa ser orientada/corrigida, quando desorientada. A castidade tem a sua sede na alma, no entanto, a sua matéria é o corpo, ela tem como função fazer com que se use moderadamente os membros do corpo, de acordo com o juízo da razão, essa virtude se preocupa com os prazeres sexuais.
A virgindade é derivada da palavra ‘verdor’,
essa virtude é a ausência da corrupção, por isso a integridade do membro
corporal tem relação acidental com a virgindade. Essa excelência pode ser
conservada na carne, isto é, corporal ou pode ser espiritual, porque é
conservada pela piedade e pela continência, o elemento material da virgindade é
a integridade física, excluindo a experiência do prazer desonesto.
Em oposição à virtude da castidade temos a
luxúria. O luxurioso é alguém que se entrega aos prazeres sexuais, esse vício
tem como umas das espécies a fornicação, o incesto, o adultério e o estupro. A
luxúria consiste no gozo do prazer sexual em desacordo com a reta razão.
Nas partes potenciais da temperança temos a
continência, a clemência e a modéstia. A continência é a abstenção de todo
prazer sexual, mas também pode ser a resistência que opomos as más paixões. É
continente aquele que segue constantemente a reta razão. A palavra continência
implica certa moderação que alguém se contém para não se deixar levar pelas
paixões, a continência versa sobre os prazeres do tato, no sentido de
resistir-lhes. Essa virtude tem a sua sede na potência da alma e o seu ato é
sempre a escolha, isto é, a vontade, a continência tem como primeiro motor a
razão. A causa da incontinência, que é oposto à continência, é a alma que não
resiste às paixões que não são ordenadas pela razão, no incontinente a
concupiscência da carne é superada pela do espírito, por não resistir com
firmeza a tais paixões que excedem ao bom meio-termo, salutar à vida humana.
De acordo com Tomás de Aquino existem vícios que
se opõem a clemência e à mansidão. A clemência modera o castigo exterior e a
mansidão tem por função própria diminuir a paixão da ira. Dos vícios opostos à
mansidão e à clemência têm a ira que se opõe à mansidão e a crueldade que se
opõe à clemência. Da ira nascem muitos vícios, a ela atribuímos: a indignação,
a arrogância, a blasfêmia, a injúria e a rixa.
Continua na parte 3...
Fonte: AS VIRTUDES CARDEAIS EM TOMÁS DE AQUINO
Você terá a oportunidade de ler mais sobre as VIRTUDES todas as QUARTAS-FEIRAS, quando vamos postar mais um artigo. Te esperamos no próximo post.
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