Segundo Tomás de Aquino, a virtude da temperança é uma ordem ou moderação introduzida pela razão, ela orienta e modera os prazeres máximos da carne e afasta do homem tudo que o atrai irracionalmente. É atribuída à temperança a tranquilidade do espírito, essa virtude se ocupa em regular as paixões tendentes ao desejo e ao prazer.
A temperança tem como matéria os prazeres da comida, bebida e os
prazeres sexuais, esses prazeres resultam do sentido do tato, para Tomás de
Aquino “a temperança versa sobre os prazeres mais intensos, que estão,
precipuamente, relacionados à conservação da vida humana, na espécie ou no
individuo”24. A temperança tem como fim a felicidade, a sua principal
característica é moderar e controlar os desejos e os prazeres do homem na sua
individualidade.
A intemperança é um vício que se opõe a temperança. A intemperança
tem por objeto os prazeres do excesso à mesa e do sexo, cujo desejo excessivo
não é tão necessário à sobrevivência. O homem intemperante é atraído por seus
prazeres particulares e somente exercitando a temperança o homem pode vencer
seus prazeres.
De acordo com Tomás de Aquino, a vergonha e a honestidade são
partes integrantes da temperança. A vergonha se opõe à perfeição, porque é o
temor de algo vergonhoso, isto é, um ato desonesto. A vergonha refere-se à
temperança quando o ser humano deixa de agir viciosamente e prática coisas
desonestas, já a honestidade é um estado de honra, é chamado de honesto aquele
que é digno de honra. Em referência à honestidade Tomás de Aquino disserta:
“A
honestidade é uma beleza espiritual”. Ora, opõe o que é feio. [...] Segue-se
daí que a própria denominação de temperança designa de forma eminente, o bem
próprio da razão, cujo papel é moderar e temperar os maus instintos. Assim,
pois, a honestidade, enquanto atribuída à temperança por uma razão especial, é
considerada parte integrante dela [...].
As partes subjetivas
da temperança são relacionadas aos prazeres da comida e aos prazeres sexuais. É
próprio da temperança frear os prazeres que seduzem demais o espírito. Em
relação à gula, esse filósofo disserta que ela consiste num desejo desordenado
da comida e da bebida, o vício da gula se encontra no desejo que a razão não
controla. Comete esse vício aqueles que excedem à medida da comida, e são
consideradas filhas da gula os vícios que tem como resultado esses prazeres.
Encontramos essa seguinte citação de Tomás de Aquino a respeito da gula:
“A gula consiste, propriamente, no prazer imoderado no comer
e no beber. Portanto, hão de ser considerados filhas dela os vícios resultantes
desse prazer descontrolado. Ora, esses vícios podem ser entendidos da parte da
alma e do corpo.”
Tomás de Aquino também considera a
virtude da sobriedade e do vício oposto a ela: a embriaguez. A palavra
sobriedade vem de medida, é chamado sóbrio quem respeita a medida, essa virtude
tem como objeto a bebida, que pode perturbar a mente, como no caso das bebidas
embriagadoras.
Tudo que é relacionado à temperança é
necessário para a vida presente, no entanto, o seu excesso é prejudicial. A
embriaguez pode ser vista sobre a degradação de um homem que bebeu muito, até
chegar ao ponto de ele não ser seu próprio senhor, ela é vista como
consequência de um desejo e desordem de bebida alcoólica.
Continua na parte 2...
Fonte:
AS VIRTUDES CARDEAIS EM TOMÁS DE AQUINO
Você terá a oportunidade de ler mais sobre as VIRTUDES todas as
QUARTAS-FEIRAS, quando vamos postar mais um artigo. Te esperamos no
próximo post.
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