AS VIRTUDES EM TOMÁS DE AQUINO - Classificação das Virtudes - Part 4

Quando as paixões são reguladas e orientadas pela razão com a prática do hábito, esse hábito será bom, pois efetua o meio-termo entre os extremos das paixões, esse meio-termo evita o excesso e a escassez do bem que pode ocorrer no homem. A prática do meio-termo gera no homem uma força habitual a qual conduz o homem na ação a buscar o bem prazeroso para o corpo e para alma.

Como indicamos acima, são quatro as principais virtudes que regulam as paixões: a prudência, a justiça, a fortaleza e a temperança. A prudência é por essência a virtude racional que modera as paixões; a justiça que é racional por participação, regula e dispõe a ordenar a vontade; a fortaleza que regula o apetite sensitivo irascível e a temperança que é a que regula o apetite sensitivo concupiscível.

Quando a razão não regula e nem orienta as paixões ocasiona um hábito denominado mal, pois não opera como um meio-termo bom entre os extremos de uma paixão. Esse hábito mau não conduz a razão a alcançar o bem, levando a paixão à desordem, o que, como dissemos, nomeamos vício. Para Tomás de Aquino, a virtude é sempre a disposição do perfeito para o ótimo, contudo, em oposição à virtude encontramos três coisas: o pecado, a malícia e o vício. O pecado se contrapõe ao bem estabelecido pela virtude, a malícia se contrapõe àquilo a qual se ordena a virtude e o vício se contrapõe à disposição habitual da virtude ao bem. A respeito desse tema encontramos a seguinte colocação de Tomás:

Por onde, segundo estas considerações, à virtude se contrapõe tríplice oposição. ― Uma é a do pecado, oposto àquilo a que a virtude ordena, pois, propriamente, ele implica um ato desordenado, assim como o ato da virtude é ordenado e devido. ― Em seguida, a malícia se opõe à virtude, que por essência, implica uma certa bondade. ― Ao passo que o vício se opõe à essência direta da virtude; pois, o vício de qualquer coisa consiste em ela não ter a disposição que lhe convém à natureza. Donde o dizer Agostinho: Chama vício ao que vires faltar à perfeição da natureza.

O vício é a privação da perfeição da natureza em oposição ao bem, logo qualquer ação repetida de modo habitual que contrapõe ao que convém a natureza, é um mal hábito, diante disso Tomás de Aquino afirma o seguinte:

[...] o vício é contrário à virtude. Ora, a virtude de um ser consiste em ter a boa disposição conveniente à sua natureza, como já ficou dito. Por onde e necessariamente, há vício sempre que um ser qualquer tem disposição contrária ao que lhe convém à natureza.

Por esse motivo, Tomás de Aquino destacou a soberba, a avareza, a inveja, a preguiça, a ira, a gula e a luxúria como os principais vícios. 

No livro As Paixões da Alma, Tomás de Aquino considera que a soberba é o apetite desregrado da própria superioridade, ela é o princípio de todos os vícios; 

- a avareza é o apetite desordenado das riquezas, dos bens temporais; 

- a inveja é o apetite desregrado dos bens dos outros, em que o invejoso considera que o bem do outro é um mal para si; 

- a preguiça é o apetite desregrado que produz uma tristeza profunda ao ponto de resultar no espírito humano uma depressão que tira toda a vontade e ânimo para fazer as coisas; 

- a ira é um apetite desregrado a qual acende o desejo de vingança; 

- a gula é o apetite desregrado do desejo e prazer dos alimentos; 

- a luxúria é o apetite desregrado do desejo e prazeres sexuais. 

Uma pessoa que bebe e come em excesso, sem ao menos ter a necessidade de tais alimentos ou bebidas, ela comete, nesse caso, a gula. Ao ser praticado o ato vicioso exclui automaticamente o ato da virtude, contudo, as virtudes adquiridas não são perdidas por apenas um ato vicioso.

 Continua na parte 5...

Fonte: AS VIRTUDES CARDEAIS EM TOMÁS DE AQUINO

Você terá a oportunidade de ler mais sobre as VIRTUDES todas as QUARTAS-FEIRAS, quando vamos postar mais um artigo. Te esperamos no próximo post. Podendo ter alguma postagem extra e ou especial ao longa da semana

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