AS VIRTUDES EM TOMÁS DE AQUINO - Classificação das Virtudes - Part 1

 As virtudes são classificadas em intelectuais, morais e teologais, e são adquiridas por dois modos: pela repetição dos atos ou infundidas por Deus no homem, por meio da graça divina, a respeito disso, Tomás afirma:

De fato, é evidente que aquelas virtudes que são próprias do homem, enquanto é partícipe desta cidade, não podem ser adquiridas por ele, mediante as suas capacidades naturais. Por isso não são causadas por nossos atos, mas são infundidas em nós, por um dom divino. 

No entanto, as virtudes que são próprias do homem enquanto é homem, ou enquanto é partícipe da cidade terrena, não excedem à faculdade da natureza humana. Por isso, o homem pode adquiri-las por suas capacidades naturais, a partir dos próprios atos, o que é evidente desta maneira3.

Segundo Tomás de Aquino, a virtude infusa por Deus é um bem máximo em absoluto, uma vez que o homem se ordena para o Bem Absoluto que é Deus. Já a virtude adquirida é um bem máximo dos bens humanos, mas não é um bem máximo em absoluto. 

O homem é moldado pela virtude, por meio do ato, o qual conduz para a felicidade, que é proporcional à natureza, sendo obtida por ela ou sendo concedida pela graça divina. Ofertada pela graça divina, a virtude, apesar de ultrapassar todo princípio natural, não a contraria, e esse princípio sobrenatural é denominado ‘virtude teologal’. 

Conforme Tomás de Aquino, no livro A caridade, a Correção Fraterna e a Esperança, a fé, a caridade e a esperança são qualificadas como virtudes teologais, e essas virtudes possuem Deus como o objeto, só por ser infundidas por Ele. 

Elas são denominadas divinas por tornar o homem virtuoso, por meio delas, e direcionar o homem para Deus. Uma determinada pessoa quando acredita que algo que muito deseja vai acontecer, tem a expectativa e acredita possivelmente na realização de algo que anseia. Ao ter essa atitude diante de algo, essa pessoa está praticando a virtude da esperança, pois está na espera de algo.

Os hábitos que pertencem à razão dizem respeito somente à parte intelectiva. E a esses hábitos denominamos ‘virtudes intelectuais’. A virtude intelectual melhora a faculdade da reta ação, e se relaciona com a verdade, por sua vez, a verdade é a objeto reto do intelecto. A virtude intelectual visa o porquê da felicidade humana, e é obtida meritoriamente pelo princípio da beatitude ou é adquirida pela contemplação da verdade. 

Por meio da virtude especulativa (as virtudes intelectuais são divididas em especulativas e práticas: a virtude intelectual especulativa inclina o intelecto para a verdade universal; a virtude intelectual prática inclina o intelecto para o reto juízo acerca da ação particular), o aperfeiçoa para a consideração da verdade. 

A integridade da virtude intelectual consiste na verdade, pois o bem do intelecto é a verdade, e o mal do intelecto é a falsidade. O intelecto, a ciência, a arte, a prudência e a sapiência são virtudes intelectuais e aperfeiçoam o homem para o conhecimento da verdade. A respeito da virtude intelectual Tomás de Aquino indica:

[...] "a virtude intelectual é gerada e aumentada. Em maior medida, segundo o ensinamento. A razão disso é que a virtude intelectual se ordena ao conhecimento, que, de fato, adquirimos pelo ensinamento do que por descobrimento. Com efeito, há muitos que podem conhecer a verdade aprendendo-a de outros, do que por descoberta própria. 

[...] E, isso, porque todo nosso conhecimento tem sua origem no sentido e, ao sentir algo, muitas vezes, se produz a experiência. Por isso, segue-se que a virtude intelectual requer experiência por um longo tempo".

Continua na parte 2...

Fonte: AS VIRTUDES CARDEAIS EM TOMÁS DE AQUINO

Você terá a oportunidade de ler mais sobre as VIRTUDES todas as  QUARTAS-FEIRAS, quando vamos postar mais um artigo. Te esperamos no próximo post.

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